Todo projeto de grande repercussão técnica, acadêmica e/ou política,
atrai apaixonados pelo tema, e em alguns casos, dada a relevância do objeto a
ser pesquisado, torna o debate acalorado. Hoje, a relevância do evento de “Inauguração da Banda Larga no Amapá” trouxe à tona a paixão e envolvimento da
população amapaense, que anseia por um direito social que há tempos vem sendo sonhado.
Antes de 2013-2014 o máximo que poderíamos falar sobre Banda Larga, seria uma
referência a largura do nosso Rio Amazonas às margens da orla macapaense.
O projeto apresentado
pelo Governo do Estado do Amapá além de bem intencionado, tem forte
justificativa técnica e social. É
fato que a dificuldade de acesso à internet no estado do Amapá é grande.
Portanto, essa diversidade impõe à sociedade a exclusão social e tecnológica,
restringindo o acesso de qualidade para que usuários naveguem na rede mundial
de computadores, empresas ficam limitadas para investir na gestão da informação
e no marketing digital, entre outros entraves, que promovem um atraso no
desenvolvimento econômico, social e tecnológico no estado do Amapá.
Porém, para um projeto
de tal envergadura e impacto no desenvolvimento do estado do Amapá, boa
intenção e justifica social não é o suficiente. Trago alguns aspectos, que
usarei de forma didática para explanar detalhes do projeto da Empresa Oi.
Tomo como referência o
Linhão de Tucuruí, no qual a sustentação dos cabos de fibra ótica é feita por
torres de até 300 metros de altura, para interligar os 1.811 quilômetros
de extensão pelo meio da Amazônia. Tal altura, como bem ilustra a foto abaixo
ultrapassa a copa das mais altas árvores do percurso que segue o cabeamento.
Busquei comparar o
Projeto do Linhão de Tucuruí com a estrutura utilizada pela Empresa Oi para
sustentar os cerca de 450 quilômetros de seu cabeamento de fibra ótica,
compreendido entre o município de Calçoene, passando pelo município do Oiapoque
até Cayenne na Guiana Francesa. Conforme ilustram as fotos abaixo, a Empresa Oi
adotou o uso de postes comuns de distribuição e iluminação, com altura entre 6
e 12 metros, que em muitas trechos do referido percurso, sequer ultrapassam a
copa das árvores, com o risco eminente de ruptura do cabo.
Outro aspecto a ser
destacado tecnicamente é a questão da redundância. Didaticamente falando, cabe
a pergunta: Caso uma árvore caia e provoque o rompimento da Fibra Ótica, qual o
tempo para recuperar o serviço e qual será a estratégia para acessar os mais
remotos locais de acesso à fibra ótica, estabelecidos para o projeto?
Sobre a expressão que intitula
o evento “Inauguração da Banda Larga”, que remete ao ineditismo do projeto,
opino que os provedores de internet que utilizam frequência de Rádio e o Linhão
de Tucurí, já oferecem o produto mercadologicamente denominado Banda Larga.
Portanto, considerando
a importância do evento que ocorrerá no próximo dia 17/03, exponho o que de
fato eu espero do evento. Que apresente à população amapaense explanações e respostas concretas que mostrem como o GEA propõe
utilizar o potencial deste projeto para o desenvolvimento do estado do Amapá.
Listei algumas questões
que considero importantes que sejam respondidas pelo GEA/PRODAP, pela Empresa
Oi e por Políticos do Estado do Amapá:
Pergunto
ao GEA:
1. Onde
está o Plano Diretor ou o Planejamento Estratégico de Tecnologia da Informação
do PRODAP/GEA para a gestão 2010-2014?
2. Quais os projetos para uso da Banda Larga estão
previstos pelo GEA?
3. Qual
o plano de capacitação dos profissionais de TI que atuam no PRODAP para que
possam potencializar o uso da Banda Larga?
4. O
GEA, antes de optar pela Empresa Oi como parceira no Projeto, ouviu outros
provedores de internet do estado do Amapá?
5. Quantos empregos diretos a Empresa Oi
possibilitará para o estado do Amapá?
Pergunto
a Empresa Oi:
1.
Por que a
Empresa Oi demorou tanto tempo e precisou de tanto incentivo para implantar o
projeto de Banda Larga no Amapá, considerando que já utiliza recursos públicos
do BNDES?
2.
Quais as
iniciativas da Empresa Oi de cunho social para com o projeto no Amapá?
3.
Quais os
preços e serviços agregados como TV a cabo e capacidade de banda para atender
grandes demandas como a da Unifap de 1 Gbps?
4.
Qual o
plano de ação que a Empresa Oi irá adotar para manter o cabeamento de fibra
ótica ativo?
Pergunto aos Políticos do Amapá:
1. Ao invés de querer ser pai do projeto, como os
Deputados e Senadores planejaram suas emendas parlamentares para potencializar
o uso da Banda Larga no Amapá?
2. Como os postulantes ao GEA analisam o projeto de
Banda Larga e quais as metas que pretendem apresentar para a gestão 2015-2018?
Tenho certeza que se o Governador Camilo Capiberibe ou o Presidente do Prodap Alipio Jr,
tiverem acesso à estas perguntas, poderão respondê-las. E estarei presente no
evento por ouvir as respostas.
Sobre a tão cobiçada
paternidade da Banda Larga, opino que este projeto não possui um Pai. Penso que
os elogios sim, devem ser destinados ao Alipio Jr pela coragem e compromisso
com o projeto proposto pelo GEA desde o inicio da sua gestão à frente do PRODAP em 2010.
Como cidadão deixo aqui
meu relato e a certeza que o Amapá é um estado em pleno desenvolvimento, com
potencial para se tornar referência em Tecnologia da Informação. Cabe aos
gestores ações que priorizem a técnica, em detrimento a resultados que só se
sustentam pelo convencimento midiático.
Como professor, cumpro meu papel de estimular o debate e de apresentar
argumentos que possam subsidiar a compreensão do tema em questão. Espero que
colegas profissionais da área de Tecnologia da Informação, usuários de internet
e interessados pelo tema possam contribuir com o debate.
E você leitor, o que
espera o evento de Inauguração da Banda Larga?
Quais suas expectativas
para desenvolvimento do Amapá com os inúmeros projetos que podem ser
potencializados com uma internet de melhor qualidade?



Apoio.
ResponderExcluirApoiado
ResponderExcluirParabéns! Excelente explanação sobre o contexto da tão sonhada banda larga em nosso estado, que já ouvia que "estava para chegar" a mais de 10 anos. Penso que foram foram abordados pontos relevantes que devem, no mínimo, ser respondidos por quem de direito. Além disso, não adianta estarmos com o ""sinal"" e este não ser disponibilizado para quem dele necessitar nos moldes dos outros estados da federação, em que, a instalação é um procedimento de rotina.
ResponderExcluirPenso que a Banda Larga já estava a funcionar no estado há alguns anos, trazido pelos provedores de internet do estado através de antenas via rádio. Entretanto o questionamento a respeito da fibra trazida pela oi é justamente a redundância. Há alguns meses o cabo da fibra foi cortado em um trecho próximo de calçoene. E os técnicos levaram um tempo considerado para reparar a fibra, haja vista não haver redundância. Então se por algum evento natural, essa fibra se romper, quanto tempo os usuários ficaram sem serviço até a fibra ser recuperada?? Um dos meus questionamentos é esse... vamos ver no desenrolar dos meses... espero sinceramente que haja um plano de redundancia nessa fibra, senão... ja viu!!!
ResponderExcluirNo meu ver essa Fibra era pra ser subterrânea, são poucos km, era pra terem investido um pouco mais, agora vamos ficar a merce do tempo e dos ladrões, que infraestrutura fraca essa!
ResponderExcluirPrabéns Prof. Rafael pela análise da situação defasada de nosso Estado. Nós, enquanto consumidores, temos grande expectativa em usufruirmos de uma internet banda larga de qualidade. Um abraço!
ResponderExcluirÉdi Prado - jornalista do Amapá -Os aparelhos móveis que usam a internet serão contempladas com a fibra ótica? Como é potencializada este fonte veloz para esses aparelho não precisam de cabos para se conectar com a internet? Sou leigo e tenho este direito de perguntar.
ResponderExcluirParabéns pelas sábias palavras, moro em Oiapoque e infelizmente a Oi não tem a menor infra para fornecer serviços de qualidade aqui, utilizamos link satelites, com a dita "banda larga passando por dentro da cidade.
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